Juventus na mira da Polícia Federal (Fonte: Reprodução Google)

Juventus é alvo de investigação por denúncias de desvios e intimidações

Paola
por Paola

O tradicional Juventus, clube centenário da cidade de São Paulo, está no centro de uma investigação da Polícia Civil que apura denúncias envolvendo supostos desvios de dinheiro, contratos, pagamentos de honorários, intimidações e disputas internas. O caso ganhou repercussão após depoimentos e documentos apresentados às autoridades por pessoas ligadas à administração da instituição.

A investigação ocorre justamente em um período de mudanças financeiras para o clube, que passou a movimentar valores importantes após a negociação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e novos acordos comerciais. Entre eles está a cessão de uma área da sede para uma escola bilíngue por um período de 20 anos.

Segundo as denúncias, a Polícia Civil busca esclarecer se parte desses recursos teria sido destinada irregularmente a dirigentes do Juventus. O presidente do clube, Tadeu Deradeli, nega as acusações. Já Carlos Eduardo Gomes Pedroso, presidente do Conselho Deliberativo, não concedeu entrevista e orientou que os questionamentos fossem encaminhados à assessoria de imprensa do clube.

O que a investigação apura no Juventus?

De acordo com as informações apresentadas à Polícia, a investigação envolve principalmente Tadeu Deradeli e Carlos Eduardo, além dos advogados Luma Zaffarani e Guilherme Rodrigues.

Guilherme, que manteve uma união estável com Luma por cerca de dez anos, prestou depoimento e entregou às autoridades documentos, planilhas e comprovantes bancários que, segundo ele, ajudariam a explicar a movimentação de determinados valores relacionados a negócios do Juventus.

O advogado também afirmou que participou de negociações até o início deste ano. A partir do fim do relacionamento com Luma, passou a apresentar denúncias sobre supostos repasses financeiros.

É importante destacar que as acusações estão sob investigação e não representam, por si só, comprovação de crime ou responsabilidade dos envolvidos.

Denúncias envolvem venda da SAF

Um dos principais pontos citados no inquérito é a negociação da SAF do Juventus.

Segundo a denúncia, o clube social teria direito a receber R$ 20 milhões pela operação. Dentro da negociação, haveria ainda R$ 2 milhões destinados a honorários pela estruturação do projeto.

Guilherme afirma que esse valor teria sido dividido entre três grupos: Carlos Eduardo, Tadeu Deradeli e o casal de advogados.

Documentos entregues à Polícia, segundo o denunciante, incluem comprovantes de depósitos e saques. Ele afirma que, em dezembro do ano passado, houve um pagamento de R$ 900 mil relacionado aos honorários.

Ainda segundo seu relato, aproximadamente R$ 341,2 mil teriam sido entregues em espécie a Carlos Eduardo, enquanto R$ 224 mil teriam sido depositados para Tadeu Deradeli.

O presidente do Juventus confirma o recebimento dos R$ 224 mil, mas apresenta outra explicação para a transação. Segundo ele, o dinheiro teria sido recebido como reembolso de uma aplicação financeira.

Em maio de 2026, ainda conforme a denúncia, ocorreu outro pagamento de R$ 350 mil relacionado ao contrato da SAF.

Contrato com escola também entrou na apuração

Outro negócio citado na investigação envolve uma parceria entre o Juventus e a escola Maple Bear.

O acordo prevê a utilização de uma área da sede do clube durante 20 anos e teria valor total de R$ 3 milhões. Segundo Guilherme, a empresa realizou um pagamento antecipado de R$ 500 mil em abril.

O denunciante afirma que parte desse dinheiro teria sido distribuída entre diferentes pessoas. Luma, porém, nega ter realizado qualquer repasse para dirigentes do clube ou do Conselho Deliberativo.

Em declaração apresentada no caso, a advogada também contestou as acusações feitas pelo ex-companheiro e afirmou não ter conhecimento da investigação mencionada por ele.

Fim do relacionamento virou parte do caso

A vida pessoal dos dois advogados também passou a fazer parte das denúncias.

Guilherme afirma que começou a desconfiar de uma suposta traição no início de 2026. O relacionamento terminou em meio a acusações de ambas as partes.

Uma testemunha teria apresentado à Polícia uma declaração registrada em cartório relatando conversas que, segundo ela, envolveriam Luma e Carlos Eduardo.

A acusação de relacionamento extraconjugal, contudo, é negada por Luma. O fim da união também resultou em medidas judiciais, incluindo uma medida protetiva solicitada pela advogada, que alegou violência psicológica.

Contrato do estacionamento também é investigado

A investigação sobre o Juventus não se limita às negociações financeiras envolvendo a SAF e a escola.

Outro contrato questionado é o de concessão do estacionamento do clube, firmado em outubro do ano passado.

O conselheiro Eduardo Pinto Ferreira declarou à Polícia que passou a sofrer intimidações depois de questionar possíveis irregularidades no acordo.

A operação ficou sob responsabilidade da empresa Retaguarda Assessoria Empresarial e Comercial Ltda. Segundo o relato apresentado às autoridades, a companhia teria incluído a atividade de estacionamento em seu objeto social apenas dois meses antes de fechar o contrato com o Juventus.

O denunciante também questiona a ausência de licitação e de aprovação prévia pelo Conselho Deliberativo.

Conselheiro relata queda na arrecadação

Eduardo Ferreira também apresentou números referentes à receita do estacionamento.

Segundo ele, quando a operação era administrada diretamente pelo Juventus, a arrecadação mensal ficava entre R$ 70 mil e R$ 100 mil. Depois da terceirização, o valor teria caído para aproximadamente R$ 40 mil.

O conselheiro também relatou ter recebido um Pix de R$ 17 mil da empresa responsável pelo estacionamento. Poucos minutos depois, teria recebido uma mensagem de Carlos Eduardo.

Ferreira afirmou ter interpretado o pagamento como uma possível tentativa de silenciá-lo. A proprietária da empresa não respondeu especificamente sobre o Pix, mas declarou que a terceirização ocorreu dentro das regras e padrões de mercado e que a operação teria proporcionado retorno ao clube.

Denúncias de intimidação dentro do clube

Também fazem parte do caso relatos de suposta pressão sobre conselheiros e associados que questionavam decisões da direção do Juventus.

Segundo os depoimentos, Carlos Eduardo teria adotado uma postura intimidatória em reuniões do Conselho Deliberativo. Há ainda relatos de que ele teria exibido armas durante encontros.

Guilherme Rodrigues declarou à Polícia que teria recebido ameaças relacionadas à sua carreira.

Outro ponto levantado nas denúncias é a suspensão ou exclusão de mais de 20 conselheiros do órgão desde o ano passado. As circunstâncias dessas decisões também aparecem no contexto das disputas internas investigadas.

Como Carlos Eduardo é escrivão de polícia, a apuração relacionada às denúncias que envolvem sua atuação está sendo conduzida pela Corregedoria da Polícia.

O que diz o Juventus?

Em posicionamento oficial, o Juventus afirmou que não comenta o mérito de questões que tramitam sob sigilo perante as autoridades competentes.

O clube também ressaltou que questões pessoais envolvendo indivíduos ligados à instituição não devem ser confundidas com a atuação administrativa e institucional do próprio Juventus.

A direção destacou ainda a história centenária da agremiação e afirmou manter o compromisso com responsabilidade, transparência e respeito à comunidade esportiva.

Por enquanto, a investigação segue em andamento. As denúncias apresentadas à Polícia deverão ser analisadas pelas autoridades responsáveis, que terão a função de verificar documentos, depoimentos e demais elementos para determinar se houve irregularidades nos contratos e movimentações financeiras citados no caso.

Assim, embora o Juventus esteja no centro das acusações, é fundamental diferenciar denúncias, versões apresentadas pelos envolvidos e fatos eventualmente comprovados ao longo da investigação.

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